Auto Cuidado

imagem de Good Studio/Adobe Stock

Hoje em dia está muito em voga a expressão "self care". Nem sequer é traduzida para Português.

Eu própria a uso.

Mas sinto que é usada ao desvario com um devaneio ou algo que tem de ser feito ou então não és uma boa pessoa ou não estás a fazer algo por ti.

Tens de cuidar de ti para cresceres, para seres alguém.

Eu compreendo que estando numa era pós moderna o autocentralismo seja o apogeu dos nossos dias.

Mas então o que é mesmo o auto cuidado?

Festinhas e miminhos a nós próprios? Banhos de imersão com sais de banho e óleos essenciais? Caminhadas na Natureza? Um chá quente?

A meu ver, isto é apenas uma pequena parte do auto cuidado.

E se o cuidado do todo fosse auto cuidado? E se o auto cuidado fosse o cuidado do todo? Revolucionário ah? E tenho a certeza que alguns botões foram apertados só a ler estas duas perguntas!

Porque o meu botão foi apertado há tempos atrás!

Mas a verdade é que já chega de sermos egoistas e auto centrados como se o mundo rodasse à nossa volta!

E ao mesmo tempo, cada um de nós é essencial para a mudança acontecer! Para este mundo ser cuidado e amado. E nós somos este mundo, daí termos de cuidar de nós!

Mas a diferença está no resultado, por aquilo que nos move ao auto cuidado:

  • reacção a eventos traumáticos, ao estado do planeta, às decisões governamentais; "ninguém quer saber de ninguém", "é cada um por si", "este é um mundo cão, por isso tenho de sobreviver". Resultado: um auto cuidado egoísta.
  • Eu amo viver e amo este planeta, por isso faço tudo para eu brilhar, num planeta brilhante. Se eu não cuidar de mim, não faço nem sou a minha expressão mais profunda. Cuidando de mim com amor sei que estou a cuidar de algo maior do que eu e que ao mesmo tempo me transcende, está e e é além de mim, porque eu não sou separada deste mundo e de tudo o que me rodeia. Resultado: acções em amor, brilho constante que abraça todas as condições e experiências, cuidado pelo todo em acções não auto centradas , mas com uma perspectiva alargada.

Aquilo que experiencio é que o auto cuidado vindo de uma perspectiva alargada de que eu não sou separada de tudo e todos, não me identificando com o egoísmo, se expressa sem várias formas: sim, podem ser banhos de imersão, caminhadas na Natureza, tempos de meditação, uma viagem para longe para fazer tratamentos corporais de cura profunda, uma prática física diária, mas ao mesmo tempo, podem ser tempos de serviço a causas grandes, como por exemplo, voluntariado numa associação de protecção de Natureza, plantação de árvores em áreas ardidas, partilha de informações e pesquisa sobre exploração de minério no nosso país e consequentes escolhas que sejam de acordo a decisão de amar e proteger este planeta, meditar não porque tens algo de errado que tem de ser arranjado, mas porque um céu precisa de todas as estrelas a brilhar.

Porque sendo a transformação, a mudança, sendo quem somos na nossa essência, não estamos apenas trabalhar em nós como seres individuais, mas estamos também a fazer e a ser a mudança no mundo.

Estamos a inspirar e a incentivar a expressão da essência mais profunda e pura em todos também.

Ser amor em tudo aquilo que se faz, sem conotações de auto amor ou amor pelo planeta.

Porque amor é amor.

Amor não é egoista.

Amor é a expressão de um fogo que nos move a todos.

E o fogo não é egoista.

O amor não é egoista.

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Enche a tua chávena de chá e junta-te a mim, aqui.

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