Cortar o cabelo ou mais do que isso? 

Olá querid@s!

Tantas vezes a ideia de cortar o cabelo me invadiu e não quis mais ignorar isso! Cortei-o apenas um pouquinho nas pontas umas quantas vezes, cheia de alegria e vigor, mas cortar mais do que as "pontinhas" pareceu-me sempre um pouco assustador. A verdade é que algumas vezes, todo esta contemplação transcende os próprios fios de cabelo!

Sempre fui consciente na forma que me relaciono com o cabelo, não de uma forma muito profunda, mas isso mudou de alguma forma há alguns anos atrás. O meu cabelo sempre foi cuidado pela minha mãe e pela minha avó e depois por mim. Um elo de ligação entre estas gerações. Intimidade feminina de profundo amor.

Para mim, cuidar com amor o cabelo é cortar, hidratar, massajar, cortar, entrançar com intenção de concretização.

A vontade de cortar o cabelo bem curto estava a ser uma questão muito presente: de onde vem esta vontade de cortar de forma tão radical um cabelo com o qual me relaciono de forma tão amorosa, porquê ter uma aparência diferente da que tinha na altura? Senti que havia algo que queria partir, um apego a uma imagem pesada e escura, fechada. Um impulso que estava cada vez mais forte, perto do aniversário que há um ano atrás foi, de alguma forma, traumatizante. Era uma vontade de uma mudança grande, de largar o que não servia mais. Uma vontade de ser leve.

Mas, cortar o cabelo não me torna mais leve. O relacionamento com um objecto não muda porque mudamos alguma coisa, mas muda porque queremos mudar. Mas algo acontece quando a essa intenção se junta uma acção. Acção que acompanha uma vontade de mudança, de não querer algo velho, que não é saudável (físico e não só). Largar uma ilusão. Largar um constante apego a algo pesado, que não permite o desenvolvimento, algo que até agora vibrou e que não quero que vibre mais. Não quero viver pelos olhos da escuridão!

É uma alegria profunda - não é sobreviver, mas sim brilhar; é um destaque de beleza interna que se quer expressar, que quer ser! E isso poderá ser atraente e inspirador para outras pessoas brilharem e serem na sua profundidade.


Deixo-vos uma questão: qual o teu relacionamento com o cabelo e com aquilo que ele significa, e consequentemente, qual o relacionamento que tens com a vida?

Tenho pesquisado imenso sobre o tema e estado com a minha experiência quando penso em cortar ainda mais o cabelo. É importante que quando estas contemplações são feitas, que o sejam de um lugar de liberdade, de estado meditativo e que não nos debrucemos nestas questões de uma forma mental e calculada, com a expectativa de ter uma resposta acertada, seja ela qual for, ao fim de um determinado tempo.

Apercebi-me que esta questão, como qualquer outra, não tem que ser algo muito grande ou maior do que aquilo que é. Mas quando o apego é grande, coisas simples podem tornar-se um bicho de sete cabeças (ou mais!). O apego a uma imagem de beleza convencionada pela publicidade, por filmes, pela cultura.

O que é realmente belo? Uma mulher de cabelo curto ou de cabelo comprido? Uma mulher que se relaciona de forma livre com a sua aparência seja ela qual for ou uma mulher preocupada constantemente com a sua aparência? Uma mulher que cuida da sua aparência por amor próprio ou uma mulher que se cuida preocupada com o que os outros pensam de si?

Espero os vossos comentários e experiências com este tema.

Abraço-vos com amor,

Raquel PW



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Cházinho com a Raquel, aqui.

Cortar o cabelo como resposta a uma experiência traumática.