Estás a ouvir o teu corpo?

Hoje dei conta que ouvi o meu corpo mais profundamente do que nunca.

Mas o que quer isto dizer?

Leio imenso na internet e em ar,tigos de revistas ou jornais que é muito importante ouvir o corpo. Escutar profundamente. Sempre que lia isto ou alguém mo dizia, interpretava isto como "o meu corpo queixa-se de uma dor, por isso paro de fazer o que estou a fazer ou não vou fazer o que ia fazer" ou "o meu corpo está cansado depois da prática física de hoje, por isso amanhã tenho uma desculpa para não me exercitar" ou "hoje estou cheia de energia, por isso, vou partir lenha até não poder mais" ou "o meu corpo está a pedir-me chocolate, logo é isso que lhe vou dar". E os exemplos podem continuar. Ora, estes exemplos têm a sua verdade, mas a perspectiva que eu tinha há anos atrás não contemplava a totalidade do corpo.

A meu ver, um corpo não é apenas físico, nem meu, nem eu, nem limitado, mas também é esta fisicalidade maravilhosa e misteriosa!

Como em todas as mais diversas situações, muitas vezes, olhamos as mesmas pelos olhos de condicionamentos sociais, culturais, de género e pessoais. E outras tantas, ouvimos o corpo com tanta profundidade e pureza, que sabemos perfeitamente como responder.

A audição do corpo pode ser feita através de uma experiência traumática e das suas consequências físico-psicológicas e mesmo energéticas. E se isso acontecer, podemos nem ouvir o corpo ou deturpar a sua informação.


Então, como ouvir MESMO, profundamente o corpo, sem filtros nem julgamentos?

"Sentir o que se sente. Não negar o que se experiencia.
Aceitar o que se sente. Não julgar.

Abertura para o próprio corpo. Forte vontade de o ouvir.

Confiança no corpo. Cada célula está do teu lado; cada uma delas é uma aliada. 

Valorizar espontaneidade. As emocões, células e o cérebro alteram-se. O melhor é não ser o polícia que quer parar o rio da mudança tentando bloqueá-lo com crenças fixas e estáticas. 

Apreciar o que o corpo quer fazer. Descanso, actividade, diferentes tipos de comida, prazer, sexo, ..." Deepak C.


Aqui ficam algumas dicas:

- Manter uma prática diária meditativa para parar. E quando me refiro a parar não falo unicamente em fazê-lo fisicamente, mas também em termos mentais. Claro que parar a actividade mental é deveras desafiante, visto sermos seres pensantes, mas a meditação permite-nos diminuir a velocidade e exercitarmos a não identificação com todo e qualquer pensamento que surja ou mesmo sensações físicas.

- Manter uma prática física diária. Na minha experiência é essencial, quando há alguma resistência a este ponto, escolher uma actividade com a qual a pessoa se relacione ou goste minimamente, para que não seja tão fácil desistir. Criando este hábito, será mais fácil fazer uma variação de práticas e até ganhar-lhe o gosto.

- Manter uma prática diária de caminhada ou contacto com a Natureza. Ao contactar com a Natureza, de variadas formas, descobri que sou parte dela, que sou ela de alguma forma, e que assim, me descubro corporalmente e em toda a totalidade, numa pura expressão. Que existe um encorporamento, um aceitar e deixar-me estar neste corpo, sem dúvidas nem julgamentos.

- Manter um caderno com anotações sobre o cuidado corporal que podes fazer, listando todos os dias a gratidão pelo corpo, ciclos menstruais, períodos energéticos ou de letargia, práticas físicas, consumo de água e a sua quantidade diária e efeitos destes cuidados, alimentação e por fim, sinais que possamos sentir/ouvir/perceber no corpo.

- Conectar e cultivar intuição. Todos temos intuição, mas teimamos em não a ouvir! Parar para ouvir e sentir sem filtros de "eu devia", pois a intuição surge de um lugar ou é gentil e suave, verdadeiramente conectada com aquilo que é mais importante e necessário. 

- Listar e cultivar práticas de auto-amor holístico. Isto inclui tempo para nós, de mimo, descanso e relaxamento. Nestas alturas de auto-amor e atenção é quando conseguimos conectar com os nossos corpos e ouvi-los profundamente. A nossa saúde e sanidade vão decerto agradecer!

NOTA: segue o facebook e o instagram @awakenedbodyportugal e inspira-te com o #selfcaresunday


Aquilo que hoje me apercebi é que senti cansaço físico quando me encontrava em resistência à actividade à qual me tinha proposto a fazer de seguida. Poderia ter interpretado esse cansaço como a próxima tarefa não ser a certa para esse momento, mas, neste caso, era apenas um grande não a algo que ninguém me obrigou a fazer, a algo que eu tanto amo fazer, a algo que eu tenho medo de enfrentar, a algo que é tão simples, a algo que é pura de expressão de amor. Nem tudo é linear. Nem tudo é de fácil classificação. Prática é essencial e vontade de ouvir, ouvir profundamente, (re)conhecendo este corpo como algo sagrado em profunda gratidão por aquilo que o corpo é e expressa.

E muito mais há em ouvir o corpo. Mas fica para outros blogs.

Por agora, explora o quanto ouves o teu corpo e quanto ages em conformidade com essa abertura profunda a um templo sagrado que tanto tem de mistério, como de beleza e fisicalidade.


Abraço-te com amor,

Raquel