Solstício de Verão

Em simplicidade, em ritual.

No receber de braços abertos de uma nova época.

Um novo ciclo.

Hoje, no dia maior do ano. Reunida entre irmãs, em amor.

Na entrega de braços abertos à morte, à vida.

Enfrentando aqueles bichos que rastejam de forma asquerosa.

Bichos criados por mim.

Auto-imagens irreais.

Afinal, o que é real?

O que é real é o silêncio, o amor, a entrega, a resposta, a concretização, a plenitude, o prazer, a dor, a morte e a vida.

Tudo é real numa existência material e tudo é uma ilusão numa existência separada.

E abraço tudo.

Tudo mesmo.

Mas escolho a expressão da verdade.

O que traz hoje o sol?

O som, a calma, a força, a plenitude.

A irmandade (sororidade).

Na dor vejo a força e na entrega vejo os medos.

O apego à perfeição.

O querer ser tão boa numa lista de coisas óptimas para se ser.

Mas só me resta ser, sem categorias ou etiquetas.

Ser. Ser o que se é.

Resta-me abrir os braços a Deus, fechar a boca quando tenho de ficar calada e abri-la quando a expressão quer ser expressada.

Ficar em silêncio e ser o silêncio eterno da sabedoria e da força incontrolável do Amor.

Sou luz.

Na verdade, sou luz.

E quero ser essa luz, como o sol que brilha sempre, mesmo por trás das nuvens.

Pois as nuvens dissipam-se rapidamente, quando o vento da verdade é forte.

No amor resiliente, no Deus que sou, a luz é.

Como eu, como tu.

Embriagada do suor laboral da entrega, intoxico-me.

Derreto-me e caio na cama.

Descanso-me.

Derreto-me mais.

E mais.

E mais.

Até a ilusão deixar de ser concreta e restar apenas uma gota do elixir da verdade.

Elixir de flores amarelas.

Elixir que vem do meu corpo.

Elixir que cura depois de se ver tanto ego, tantos padrões, tantas amarguras irreais.

Entrego-me.

E sou o sol.

Sempre.

Mesmo quando não o sinto, mesmo quando choro, mesmo quando estou em dor.

Porque o corpo é feito de sol, de luz.

Nada mais poder ser a não ser luz.

Irradio.

Deixo irradiar.

Espelho a luz de tudo